Story of my life
Bem, é difícil escrever sobre a história da minha vida, mas vou me esforçar ao máximo.
Nasci em 19 de março de 1992, tenho 18 anos, meus pais são separados mas moram juntos, meu pai é alcoólatra e está desempregado há uns 2 anos pois a empresa em que trabalhava fechou; minha mãe é funcionária da prefeitura de São Paulo.
Desde os meus seis anos afirmo que farei medicina. Acho que fui muito influenciada pela minha família pois minha mãe, minha tia-madrinha, meu tio-padrinho, minhas primas e minha vó são auxiliares de enfermagem. Tudo começou com a minha vó, que era da equipe de limpeza do hospital São Paulo e ajudava as freiras a cuidar dos pacientes nas horas livres. Como tinha jeito pra coisa as freiras ajudaram-na a fazer o curso de auxiliar no hospital São Paulo mesmo, depois disso ela foi encaminhando as filhas, o genro... Cresci indo trabalhar com a minha mãe, mas nunca quis fazer enfermagem, sempre fui apaixonada pela medicina, não sei ao certo porque mas a profissão que escolhi me encanta, é uma relação de amor mesmo.
Desde pequena este meu sonho é o que mais pesa nas minhas decisões. Estudo muito, desde sempre, porque este era o conselho que os médicos amigos da minha mãe me davam. Um deles até me ofereceu um estágio em sua clínica se eu seguir mesmo o rumo da ortopedia. As dificuldades foram aparecendo e piorando com o tempo. Mais coisas para estudar, menos tempo para a diversão. Ninguém costuma entender a escolha pelos estudos quando não estamos no cursinho.
Na oitava série fiz cursinho pré-vestibulinho na Profitec. Com a prova de bolsa consegui 25% de desconto e uma vizinha que dava aulas lá e já me conhecia (chamada Beatriz inclusive) conseguiu dobrar o desconto. Foi o começo dos frutos de todo o meu esforço. Segundo ela eu merecia, seria um bom investimento para o cursinho. Ela estava certa, passei em 45º na ETE (atual ETEC) Getúlio Vargas para fazer o Ensino Médio. Não cursei lá pois meu tio também achou que eu valia a pena, pagou o colégio para mim. Tinha um contato no Arquidiocesano, me apresentou para a coordenadora do pedagógico de lá e ela meio que me “apadrinhou” no tempo que passei lá. Foram três anos de muito aprendizado, principalmente com meus preconceitos. Não imaginava que faria ótimas amizades; não achava que me sairia bem em um colégio particular, até então só tinha estudado em escolas públicas.
Eu tive boas oportunidades em minha vida, acredito que todas graças ao meu sonho de me formar médica e creio que soube aproveitá-las ao máximo.
Minha família sempre me apoiou, com todas as dificuldades. Sempre me ensinou a tirar as pedras do caminho e aprender com elas. Tudo o que passei nesses meus 18 anos, todas as coisas que podem ser consideradas dificuldades, como um pai alcoólatra, a construção da casa em que moro no terreno cedido pela minha vó, ajudar a cuidar da minha vó que já não sai mais da cama entre outras coisas, sempre me ensinaram muito. Com os trabalhos voluntários que faço (um com moradores de rua e outro de evangelização infantil) aprendi que dinheiro está bem longe de ser o principal, que não importa quão mal estamos, sempre podemos ajudar alguém que está um pouco pior. E que grandes conselhos costumam vir de pessoas que você imaginava estar ajudando, de pessoas que você nunca imaginaria que poderia te ajudar com algum problema. Nunca tivemos dinheiro sobrando, geralmente está faltando por sinal, mas sempre nos esforçamos para ajudar uns aos outros e a terceiros que precisavam mais.
Acredito que este segundo ano de cursinho não será uma tortura, como muitos encaram o cursinho, mas uma excelente oportunidade para lutar mais ainda para realizar meu sonho, mais uma etapa. Assim como todas as outras de muito aprendizado em todos os sentidos. Gostaria muito que apostassem em mim mais uma vez.
Muito obrigada pela atenção,
Um parto de redação, mas nasceu.
É isso.
:)

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