domingo, 15 de novembro de 2009

E foi assim...

Eu não estudei. Não mesmo. E a unificada é amanhã. E a FUVEST é em 7 dias, exatos.
{Diga a verdade ao menos uma vez na vida...}
E eu tô meio mal. Mas nem tanto assim...
{Diga a verdade, ponha o dedo na ferida...}
Sabe, a Jé me disse uma coisa que me fez bem. Eu tirei o ano para viver. Verdade. Isso não é nenhum crime. Talvez seja, mas é um crime maior não viver.
E de boa, eu queria viver, eu vivi, eu estou vivendo, e às vezes estudar não faz parte dos meus planos de viver. E estou disposta, como sempre estive, a assumir as consequências dos meus atos, de todos eles. {Não fique pela metade, vá em frete minha amiga, destrua a razão deste beco sem saída...} Elas não são tão ruins assim, rec não é tão ruim... aprendo muito bem a matéria.
Uma vez na vida quis ser o que dizem ser normal, quis agir como nunca tinha agido, quis fazer o que nunca tinha feito... nada de tão grave, só quis viver tanto para a escola, quis que os estudos deixassem um pouco de ser meu fluído vital. Não completamente, não todos os estudos, mas os acadêmicos mesmo.
E pensando nessa linha do espiritismo, talvez eu não esteja errada, não me sinto errada, me sinto mal porque meu orgulho foi muito ferido esse ano... Sempre o que mais inflou meu orgulho foram os estudos e esse ano não foi assim, descabei um pouco, as notas caíram um pouco... Algumas cairam muito... mas ainda assim, tudo bem...
Vendo bem, eu cresci, eu adquiri conhecimento em outras áreas. Namorei pela primeira vez, fiz novos amigos, percebi que outras coisas existem, além da escola, fui bastante no cinema, tirei notas baixas, diminui meu orgulho intocável, implacável. Já não me ofende tanto algumas coisas.
Falei besteira, aprendi a ponderar um pouco, a dividir, a me divertir. Descobri que sou bonita, que se quero algo bom não posso ficar esperando cair do céu. As coisas realmente boas não vem sozinhas ao seu encontro, você também tem que ir atrás, lutar um pouquinho. Ninguém passa na USP sem estudar, essa é uma bela demonstração disso.
Descobri que um blog é muito útil para colocar os pensamentos em uma linha coerente. Que professores chatos podem ser legais em outras circunstâncias e que não é porque eles são chatos e estão do lugar de um professor que era excelente que eles não são inteligentes e bons professores. Não é porque eles apontam um erro que ninguém nunca tinha reparado nas suas redações que eles são ruins. E nem porque eles usam camisetas que mais parecem camisolas na sala de aula e são mega desorganizados que são ruins.
Aprendi que a gente até pode não gostar das pessoas, mas que não é por isso que a gente vai tirar mérito delas, isso é errado, é feio e é um clichê tão grande...
Aprendi que os professores não gostam de mim pelas minhas notas e sim por quem eu sou, pelo meu esforço, pela minha vontade de aprender, por mais que eu não consiga estudar em casa ou entender uma coisa ou outra... E me falaram que sou encantadora, e pelo que percebi com os professores, com outras pessoas, acho que sou mesmo. É estranho pensar que eu sou encantadora, mas que mal há nisso?
Me falaram muito, relutei em aceitar, mas acabei percebendo que sou bonita. Um amigo me apelidou de 'patinho feio', pela história dele. Também não há mal algum em ser bonita, em querer mostar sua beleza, em se sentir bonita e em querer isso.
Cresci muito em um campo que nunca tinha evoluído, foi necessário. Hoje vejo como necessário ter ido mal na escola. Se não tivesse ido, nunca veria outras coisas.
Eu juro que não sei expressar minha gratidão pela primeira aula de física do ano. A aula na qual o Pipoquinha, Sr Celso Miranda, nos contou do triangulinho que nos mantêm bem, e que se ele não estiver em equilíbrio, não conseguiremos alcançar nossas metas, que devem ser 'passar no vestibular'. O triângulo é bem simples, uma das arestas corresponde aos estudos, a outra ao físico e a terceira ao sentimental, à saúde mental de um modo mais geral. A mais importante é a da saúde mental, embora todas elas geralmente sejam equivalentes.
Eu nunca tinha dado uma verdadeira atenção à saúde mental, mais especificamente aos relacionamentos. E quando as notas começaram a cair fui começando a perceber que tinha uma relação muito grande com isso. E fui dando mais atenção aos outros setores da minha vida, e meu triângulinho deixou de ser uma reta, virou um triângulo de verdade.
E a IAM, a Rê, a Tia Su, o Tio Lelê, o Papis... também não sei como agradecê-los, me ajudaram muito nessa transição toda.
A minha família, as duas. De uma, mais a minha irmã, mamãe, vó e madrinha. Da outra, mamãe, papai, vó, fê, dona glória, dave, e sim também tenho que agradecer ao antônio, ele fez parte da minha vida, me ajudou, e muito, a crescer, a mudar...
E quase no fim deste ano, micado, a Bia que termina o ano não é a Bia que começou ele. É uma Bia bem melhor, é uma Bia crescida, é uma Bia e não um bebê.
Mudei bastante, crescendo. Me sinto melhor agora, me sinto mais eu. Acho que estou achando quem eu sou, que estou me aceitando como sou, com todos os meus defeitos, com todas as minhas imperfeições, tirando as máscaras, mostrando quem eu de fato sou. E seguindo o exemplo do primeiro ciclo, estou passando a massa corrida pra arrumar o que tá errado, lutando, colocando a mão na massa pra deixar meu períspirito mais lisinho.
É isso.
E é hora do evangelho.
Beijo.

Um comentário:

  1. Eu descobri que gosto de ler comentários.
    É legal saber que alguém perdeu tempo de sua vida, ou ganhou, lendo isso aqui e que teve o trabalho de me contar o que achou :)

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Obrigada por comentar. Não se incomode com o rosa. :]